quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Árvore II


Pensa uma árvore ao nascer:
- Luz novamente... – Esperança, ela ainda não sabe o que é.
- Droga! Nasci árvore novamente. – A permanente impotência será sua realidade.
- Até já decorei a história. – Lamenta em silêncio a pequena árvore. - Nasci ao acaso, como gostaria de ter pai e mãe. Vou crescendo sozinha, nunca vou correr pela floresta. Passarei o tempo inteiro parada, aqui, no mesmo lugar... Minhas raízes crescem... cada vez mais presa, mais comida, mais gorda. Passo o tempo todo trabalhando para sustentar incontáveis parasitas que devoram tudo, minhas flores, meus frutos e sementes. Ainda há os passarinhos que fazem ninhos nos galhos, destes até que gosto um pouco, porém lamento não poder ouvir seus cantos.
- A chuva sempre é gelada e a noite fria. Preciso engolir gás carbônico porque não existe nada para respirar. Sei até como vou morrer... – Alguns segundos de silêncio...
- Vai ser velha, enrugada e seca... Um forte vento vai me arrancar do chão e irei mais uma vida inteira para apodrecer, ou... um homem virá e me cortará.... Não sei dizer o que dói mais... O grito de uma árvore sendo ferida é escutado em todo o planeta. Muitas choram e em alguns lugares começa a chover...

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